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Esplendor

Uma análise crítica de 

Floren de Bas

 “Crepúsculo, luz translúcida, sóis presentes, raios solares, laranja púrpura” tantos significados para tentar explicar algo esplendoroso, sensibilidades outras, não as que sabemos, por nos faltar visão.

O filme conta a história de uma obra que trata de perdas, corpo presença e corpo sem visão e de tudo o que desaparece com ela. No decorrer da película encaixam “cores do arco íris no perfeito de vidas entrelaçando suas dores e criações imaginativas de percepções múltiplas”. Assino arte poesia em movimento. Obra cinematográfica que conta com um enredo em torno de Misako, jovem audiodescritora, que narra o equilíbrio da obra que vislumbra ver com seu público cego.

O clímax dessa poesia em movimento é o duro crítico fotógrafo veterano que está prestes a perder sua visão, ao longo dos diálogos e confrontos de perdas, Misako passa a ver Nakamori de outra forma. Misako descreve narrativa de forma peculiar e silenciosa, “instigando” seu público a querer mais raios solares alaranjados púrpura. Com profundidade encontram-se entendimentos da perda (pai) e amor (de sua mãe). Para melhor entender essa escrita - movimento poético -, ficamos pequenos diante do momento em que todos 'assistem' ao esplendor.

Trago fragmentos partes do movimento poético: quando Misako chega a casa de sua mãe, no interior do Japão, a encontra em pé ao fundo da casa, nesse instante um raio de luz surge, é um convite, os raios solares se estendem a ambas, quando as duas sentam no alpendre. Nesse ponto da película descrevo a sua grandiosidade com o intuito de comparar o poder do pôr do sol. A mãe de Misako diz: “Quando fecho os olhos é para sentir o pôr do sol. Ouço melhor”. É visível o amor e a admiração de Misako por sua mãe.

Na passagem do tempo do longa-metragem, Misako deita-se ao lado da mãe e sua mãe dorme. Ela coloca a mão no rosto da mãe, perto do nariz, para sentir o ar que sua mãe respira. A cena termina com Misako adormecendo ao lado da mãe.

O fotógrafo, seu crítico ferrenho, perturba-se com e nas descrições de Misako, aparentemente, projetado no deslocado de fundo existencial da perda de visão com a escritora, ao mesmo tempo em que se aproximam.

Uma das cenas se desenrola quando o personagem fotógrafo, Nakamori, conversa com seu computador, por não estar sabendo a diferença das horas já que não percebe quando escurece ou está claro.

Na tocante perda total da visão do fotógrafo, acontece o despertar do ser amante amado. Em meios às falas e acontecimentos. Numa cena crucial o fotógrafo é encurralado pela escritora, e essa pergunta ao fotógrafo se este não possui imaginação. O mesmo se afasta do debate das narrações. Misako se com encontra Nakamori no trem. O mesmo se dá conta que perdeu a visão e pega na mão de Misako.

Já no final Misako e Nakamori choram, no pôr do sol esplêndido, quando ele pede a amada que possa tocar em seu rosto e se beijam. Depois de segundos, aparece como num passe de mágica a câmera fotográfica e Nakamori pede para tirar a última foto, a da amada. Como diz a própria narradora “fotógrafos são encolhedores de tempo”.

Logo adiante, ao ver o pôr do sol com Misako, Nakamori joga a câmera fotográfica no rio, simbolizando o fim de sua visão, como se seu coração deixasse de bater naquele momento... E falando de tempo, fica claro que o texto história tempo em movimento é para além dessa escrita apaixonada. O esplendor está nesse enredo, com o tema do pôr do sol... fazia tempo que não se via por essas bandas dos Portos história movimento dessa magnitude.

O filme poente poema poesia fecha com uma última e instigante frase, “temos sempre que perseguir o sol”, nas profundezas de nossos seres, até nos afundarmos do silêncio do amar.  “Ele olha fixamente... Aquele esplendor”.

Floren de Bas

Esplendor

Sinopse | Misako (Ayame Misaki) é uma cineasta apaixonada pelas versões cinematográficas destinadas a deficientes visuais. Durante a exibição de um dos seus filmes, ela conhece Masaya Nakamori (Masatoshi Nagase), um fotógrafo que está perdendo a sua visão, mas que guarda um acervo de fotografias que atrairá Misako e fará com que ela se conecte com seu passado.

Título original | Hikari

Direção | Naomi Kawase

Ano | 2018

Elenco | Masatoshi Nagase, Ayame Misaki

Gênero | Drama | Romance

Nacionalidade | Japão, França