Exposição | Izabel Bretanha

E o que será do amor?

Izabel Bretanha

A exposição esteve no Clube de Cultura, um espaço tradicional de Porto Alegre no debate de arte, localizado em um dos bairros mais emblemáticos na formação e expressão cultural da cidade, o Bom Fim, no período de 04 de maio até dia 2 de junho.

Destaque da programação cultural em Porto Alegre no mês de maio/18, a exposição “E o que será do Amor?” da artista plástica Izabel Bretanha, busca colocar o amor como um fio vermelho que perpassa todas as pinturas. A singularidade nos toques do pincel e a tonalidade das cores percorrem um umbral do desconhecido. A artista, então, se coloca em jogo, atravessada por um véu de luz e rajadas de esferas, como acordes de um concerto de jazz.

E O QUE SERÁ DO AMOR?

Texto curatorial por Anelore Schumann

| artista visual, poeta, psicanalista

e curadora da exposição

 

As cores de Izabel se mesclam sobre a tela em matizes e combinações sutis ou de exuberante expressividade. Suas pinceladas, ora suaves, ora vigorosas, fixam o gesto efêmero - rastros de linhas, formas e transparências - criando paisagens líricas que nos conduzem para um espaço além do visível, como portais para outro tempo.

Algumas pinturas nos mostram figuras etéreas, transeuntes sobre a crista de uma onda, no cume de montanhas ou em frente a um abismo inesperado. Assim como as pinturas orientais, nas quais o espaço é expandido e os seres são diminutos, a artista representa o desafio que cada sujeito enfrenta ao se deparar com situações novas.

Assim, em cada nova tela, e mesmo em cada nova etapa da produção, Izabel dá um salto no vazio. É preciso coragem para pintar sem saber qual será o destino.  É nesse umbral do desconhecido que a artista se coloca em jogo.

Duas telas se destacam pela singularidade dos toques do pincel e da tonalidade das cores. Foram produzidas ao som de poemas de Baudelaire e Eliane Marques: “Poema I” e “Poema II”.

“Vou-me embora pra Jaguarão”, parafraseando Manuel Bandeira, é uma homenagem à sua cidade amada, que exerce sobre a artista uma forte atração, tal qual o norte magnético para a bússola.

No tríptico “Ruptura e desejo”, Izabel produz o encontro de cores complementares, em que o contraste gera uma vibração intensa. São barras verticais atravessadas por véu de luz e rajadas de esferas, como acordes de um concerto de jazz.

“Ela – várias / Ele – Um”, apresentam também um contraste, mas dessa vez entre duas figuras, uma feminina, fragmentada e múltipla; e a outra masculina, na solidez totalizante. Lado a lado, num díptico, representam o amor em uma faceta heterogênea.

Em sua diversidade e paradoxos, o amor é o “fio vermelho” que perpassa todas as pinturas, talvez porque, desde muito cedo, se manifestou na artista o amor pela arte, sustentado por ela no percurso de mais de trinta anos de trabalho.

“E o que será do amor?” Essa frase interrogante, que dá título à exposição, foi pronunciada na oficina Pintura Moderna, grupo do qual Izabel Bretanha faz parte, durante o trabalho de curadoria. Og Wetzel Filho, também integrante da oficina, propôs esse título para uma das telas na qual podemos ver o encontro de duas grandes áreas fluidas e um redemoinho de onde surge uma forma estranha. Essa tela suscitou uma animada conversa no grupo e foram feitas diversas tentativas de interpretação, porém nenhuma delas pode revelar seu mistério.

E o que será do amor? também pode ser uma pergunta, que não cessa de se inscrever para aqueles que se questionam, num mundo cercado por discursos de ódio.

 

É também uma frase que segue produzindo efeitos: assim como implicou a artista e os envolvidos nessa produção, se propõe a proporcionar aos visitantes a fruição das pinturas e a produção de novas narrativas.

***

Galeria

1/1

Inauguração