Lançamento | Livro

Semeando Versos

Ao Vento

A poesia é um artefato ilusório que pode ser dispensado por  aqueles que vendem pneus usados ou novos.

Mas é indispensável para as pessoas que queiram em um certo momento do dia, do ano ou da vida, serem  contatadas com o etéreo prazer do nada. Ela brota em terreno fértil e se espalha  para as mãos dos que precisam de versos sem ao menos se perguntarem pra que servem todas aquelas mentiras". Segundo Nietzsche “Os poetas mentem demais”. Porém, as mentiras ditas pelos poetas servem para nos livrar de pesadelos, do automatismo que nega a vida que todos sonham. 

 Há poetas que conseguem atingir esse público ao falar do cotidiano, do mundano e pela esfumaçada visão divina. Seria esta então a função do poeta? Embriagar almas desavisadas que os lêem? Quem poderá dizer com precisão qualquer resposta,seja ela qual for?

 “Estrada vazia e só./Quando venta sente frio/ E se esconde atrás do pó.” João Alberto Pereira fala do efêmero, cujo teor  é imperceptível, tentando sobreviver o dia-a-dia de cada homem comum, onde tudo seduz, apesar de toda crueza  e gosto salgado do vento que sopra.

 

 “A fome, a miséria,/O ódio, o vício/o malvado ofício”. A poesia é perigosa e o poeta é provocador quando, em sua estética, interioriza sentimentos do olhar realista. Não é fácil ser poeta sem ser incômodo.

Quando o homem se veste de poeta percebe movimentos que somente ele enxerga. “Movida pelo vento/vai a folha amarelada/Um dia foi cativa/Hoje voa abandonada”.

É ele, o poeta, que sente a cor do sol daquela manhã. Será ele quem vai colorir essa manhã, com a intensidade de luz necessária para o tamanho da dor que pretende transmitir? “Como se depreendeu a folha,/Como relâmpago, ou raio,/vai embora e não vem”.

João Alberto é poeta que caminha seu próprio trajeto esse gue atento com o olhos de quem não sabe disfarçar o gesto alegre ou triste. Para o verdadeiro poeta, pouco importa.  É como se nos quisesse, com estrema gentileza, emprestar seus olhos, ou sua forma ao ver o cotidiano. O poeta nos faz sentir o que ele mesmo sente. É convidativo a quem tiver coragem de percorrer com ele a mesma trilha.

Confira as fotos durante  a sessão de autógrafos na Na Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre | Fevereiro de 2017

 
Confira a entrevista do autor durante  a sessão de autógrafos na Na Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre | Fevereiro de 2017