Artigo | Crítica | Ted Bundy | Gabriely Santos

CONVERSAS COM UM SERIAL KILLER:

TED BUNDY

Por gabriely Santos

Acabei a série com um nó na garganta. Algo engasgado. Com o fato de que a sociedade sempre acaba se enganando com rostos bonitos e sorrisos simpáticos e a tal da ‘normalidade’ e com Ted, que sempre conseguiu o que quis. Fama, às custas da vida de 30 mulheres inocentes ao longo dos anos 70.

Se a primeira coisa impressionante é a crueldade de Bundy, os primeiros corpos, em Washington, foram deixados no mato para os bichos comerem. Não se sabe o que aconteceu com ele. Antes de morrer, o assassino confessou a negrofilia. Algo que pode ser visto em alguns dos outros corpos, marcas de violência sexual. Seis mulheres ele disse ter decapitado e jogado a cabeça fora. Algumas nunca foram encontradas. E teve a menina de 12 anos. E as estudantes que ele matou brutalmente, dentro do dormitório da faculdade.

A outra coisa impressionante é como a tecnologia evoluiu. Com circuitos de câmeras, celulares, DNA e, principalmente, internet. Hoje em dia, um criminoso aqui no sul, é criminoso em qualquer lugar do Brasil e, dependendo a periculosidade, do mundo. Qualquer um pode dar notícias, gritar socorro, denunciar e mudar o rumo das coisas. Tanto que hoje em dia, os crimes dessa espécie mudaram e se tornaram um ataque massivo e único, culminando, quase sempre, com o assassino se entregando ou cometendo suicídio.

Mas Bunde não era só psicopata, era misógino, também. Ele dizia gostar de garotas, por isso só matava elas. A forma como a Netflix apresenta o assunto, sem dramatização, como um documentário, torna a série ainda mais impactante e perturbadora. As vítimas são mostradas em fotos, junto com os fatos e isso contextualiza.

Que as pessoas (mulheres?) tenham achado o cara charmoso (que uma delas, casou com ele, quando já estava preso e condenado– e que isso tenha sido permitido e o cara conseguindo gerar uma família e tudo) – não me surpreende. Você precisa ser lembrada constantemente das atrocidades dele para ver quem ele é. Em algum momento, me peguei ansiando que ele fugisse mesmo, pensando: se ele matou trinta, alguma coisa ainda vai acontecer. Foi horrível. Não eram números, eram pessoas, não era porque não conhecia nenhuma delas e porque foi em outra época que isso deveria passar pela minha cabeça como um número, apenas. Como se uma pessoa morta já não fosse um número de mortes que a pessoa não consegue pagar com a própria vida. E se conseguisse, quem pagou as outras 29 (mortes?). Para uma pessoa perturbada julgar e condenar alguém é simples, demora alguns minutos, para a polícia e a justiça condenarem essa mesma pessoa, culpada, demora anos. Às vezes, nem acontece.

Logo tem outro filme sobre Bundy, protagonizado por Zac Efron, Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile. Tem quem diga que o filme glorifica o assassino e o trailler, realmente, faz o cara parecer um rockstar - o que foi o julgamento dele e as fugas e toda a forma como precisava ser o centro das atenções? Ele se sentiu mesmo uma celebridade “de sangue”, mas foi. E até hoje, as marcas de seus crimes habitam o imaginário americano e, agora, do mundo inteiro.