Por Lena Kurtz de Porto Alegre | [ jornalista e artista visual ]

Um Certo Bigode «Dez pras Duas» Parte I

O pintor surrealista Salvador Dalí, que faleceu em 1989, teve recentemente seus restos mortais exumados, para que se realizem testes de DNA que possam  determinar se ele é mesmo pai de uma vidente e astróloga de 61 anos que há décadas vem fazendo essa alegação publicamente. Independente do resultado dos testes, que devem sair em setembro, sempre é bom saber: afinal, quem foi Salvador Dalí? Sim, aquele artista, conhecido pelo bigode esquisito, que pintou o quadro dos relógios derretidos, de personalidade extremamente excêntrica!  
 

 

E este é um bom momento para relembrá-lo. Por esta razão, inicio minha colaboração com o Jornal de Artes apresentando uma série de três episódios que contam um pouco da vida e da obra desta que foi uma das figuras mais intrigantes da História da Arte: Salvador Dalí. Filho de Salvador Dalí i Cusí,  um advogado de classe-média,  de temperamento irascível e dominador; e de Felipa Domenech Ferrés, que sempre incentivou os esforços artísticos do menino,  Salvador Felip Jacint Dalí i[ Domènech, nasceu em  Figueres, na Catalunha, Espanha, em  11 de maio de 1904, apenas nove meses após seu irmão, que também se chamava Salvador, morrer de gastroenterite, aos três anos de idade. Quando Dalí tinha cinco anos, seus pais o levaram para conhecer o túmulo do falecido, onde fizeram a perturbadora afirmação de que ele, o irmão vivo, era a reencarnação do outro, morto. Fato relevante que Dalí passou a vida tentando superar, dedicando-se a se tornar um gênio, sempre em busca de glória e reconhecimento.

 

Por outro lado, os pais também incentivaram seu desenvolvimento artístico desde cedo, e o matricularam em uma escola de arte da cidade, em 1916. Porém, em fevereiro de 1921, Dalí, que adorava a mãe, teve o que considerou o maior golpe da sua vida: Felipa morreu de câncer da mama.  Em seguida, seu pai casa-se com a irmã da falecida esposa. O que, diferentemente do que muitos pensaram, não foi problema para o rapaz, que tinha pela tia um grande amor e muito respeito. Um ano após a morte da mãe, em 1922,  parte para a capital espanhola, para estudar arte na Academia de San Fernando, e passa a viver na Residência de Estudantes de Madri. Lá, teve contato com o cineasta Luís Buñuel, com quem viria a criar obras como o curta "Um Cão Andaluz", e com o poeta, diretor de teatro e dramaturgo Federico García Lorca. Nessa época, foi influenciado por movimentos artísticos como Cubismo, Dadaísmo e também se interessou pela Metafísica.

 

Já então Dalí chamava a atenção nas ruas, com um excêntrico cabelo comprido, um grande laço ao pescoço, calças até ao joelho, meias altas e casacos compridos, dando vazão à que se tornaria uma reconhecida tendência a extravagâncias, destinadas a chamar a atenção e a comprovar a paixão que tinha pelo luxo e seu amor oriental por roupas e por tudo o que era dourado, o que ele dizia ter herdado dos seus ancestrais mouros, que ocuparam a Espanha por 800 anos, parentes que ninguém sabe se existiram ou não. Em 1926, após afirmar que uma junta responsável por avaliá-lo era incompetente, foi expulso da escola.
 

Vai então para Paris, onde conhece outros intelectuais de vanguarda:  pintores, escultores, poetas, escritores, que o apresentam ao Surrealismo, o movimento que surgiu na França na década de 1920 e foi significativamente influenciado pelas teses psicanalíticas de Sigmund Freud,  mostrando a importância do Inconsciente na criatividade do ser humano. E que se  caracterizou pela criação de obras que evocam figuras ilógicas e inquietantes. E no qual Salvador Dalí se tornou um dos nomes mais representativos e populares. E, através do qual, conheceu a mulher e musa de sua vida: Gala.
 

Um relacionamento que durou mais de cinquenta anos e que exerceu influência fundamental na vida e na obra do artista catalão. Mas isso é assunto para o segundo episódio da nossa série sobre Salvador Dalí, na próxima edição.
    Até lá!!

Um Certo Bigode «Dez pras Duas» Parte II    

 

Nesta edição, a segunda parte da história da vida e da obra do pintou surrealita Salvador Dalí, falecido em 23 de janeiro de 1989, e que há poucos dias teve o corpo exumado,  com o objetivo de se realizarem judicialmente testes de DNA para determinar se ele é mesmo pai de María Pilar Abel Martínez, uma vidente e astróloga de 61 anos. Ela garante que Dalí teve um caso extraconjugal com sua mãe, uma empregada doméstica que trabalhava perto de uma das casas do pintor, do qual resultou seu nascimento.

 

Uma afirmação duvidosa para aqueles que conviveram com Dalí ou que estudam a vida do artista. Afinal, apesar de ser considerado belo, ele era fisicamente complexado e extremamente tímido. Alguns biógrafos acreditam que Dalí era gay, enquanto outros dizem que até os 25 anos era ainda virgem e que teria um medo inconfesso das mulheres, tratando de evitar a intimidade física com elas, razão pela qual se tornou comprovadamente adepto do voyeurismo.    Porém, em 1929, em Cadaqués, um município na província de Girona, na Espanha, onde Salvador Dalí tinha uma casa  que posteriormente viraria um museu, algo mudou. No Verão daquele ano,  o pintor espanhol convidou intelectuais surrealistas para passar algum tempo com ele. O poeta francês Paul Éluard levou a esposa, Gala. Quando Dalí botou os olhos nela, imediatamente se apaixonou.    Seu verdadeiro nome era Elena Ivanovna Diakonova,  nascida em 7 de setembro de 1894, criada na Rússia e mais tarde emigrada para Paris.

 

Era uma mulher livre, de personalidade exuberante, culta, sensual, misteriosa e de grande intuição e que foi associada a muitos intelectuais e artistas.  Alguém capaz de estimular os amores mais loucos e as antipatias mais violentas.    A partir do momento em que conhece Dalí, sua vida se confunde e se funde com a dele. Ela encerra o casamento com Éluard e inicia o mito de Gala: nasce a musa, a mãe, a amante, a bruxa, a adivinha, que se converte na força motriz de concretização dos sonhos de grandeza de um homem genial, mas muitas vezes perdido na própria imaginação. Gala chega a existência de Dalí despertando um sem número de momentos criativos que se traduzem em telas, que se concretizam em objetos bizarros, em pensamentos profundos e em atos irreverentes.

 

A musa inspirou o artista catalão em inúmeras obras, como “Os jantares de Gala”, Corpus Hypercubicus, Leda Atômica, Galarina, Galatéia das Esferas, entre muitos outras.  O amor, a dependência, a admiração pela esposa eram tão grandes, que ele passou a assinar seus quadros como Gala – Dalí.    Durante mais de 50 anos de vida em comum, além de inspiração, Gala era agente de negócios de Salvador Dalí e  responsável por seu enorme sucesso financeiro, o que valeu a ele o apelido de Avida Dollars, um trocadilho pejorativo com as letras de seu nome, criado por André Breton, líder do  Movimento Surrealista, com o qual rompeu e, a partir daí, foi viver nos Estados Unidos.    No próximo e último episódio, as peripécias em Nova York, a volta à Europa em grande estilo e o desfecho da história do excêntrico casal Dalí-Gala.    Até lá!!

Um Certo Bigode «Dez pras Duas» Parte III    

 

Este é o terceiro e último episódio da trilogia sobre Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol, um dos pintores mais reconhecidos de todo o mundo, nascido em maio de 1904 e falecido em 1989, na Catalunha, Espanha. E que teve recentemente seu corpo exumado, após batalha na Justiça promovida por María Pilar Abel, uma espanhola de 61 anos, que afirma ser filha do mestre do Surrealismo. E que se diz tão parecida com ele que só falta o bigode. Sim, o extravagante bigode, uma das marcas registradas do pintor que, como ponteiros de um relógio, marcavam sempre “dez pras duas”. E que segue milagrosamente intacto 28 anos depois de sua morte, como pôde ser verificado na exumação de seu corpo.

Os resultados das análises de DNA vão ser apresentados em julgamento marcado para 18 de setembro. Se ficar comprovada a paternidade, esta será mais uma reviravolta na história do artista, que sempre se caracterizou por suas excentricidades e polêmicas. Primeiro porque, na juventude, quando muitos pensavam que era gay, por conta do relacionamento com o poeta Federico Garcia Lorca, Dalí se casa com a emigrante russa Gala, ex esposa do amigo surrealista, Paul Eluard, que se tornou a mulher e musa da sua vida. Segundo porque, apesar do grande amor que sempre dedicou à mulher, fazia questão que ela tivesse amantes, por ser praticante do voyeurismo.

 

E, segundo consta, avesso aos contatos físicos. Terceiro porque a política desempenhou um papel significativo na sua existência, tendo ele inicialmente abraçado o anarquismo e o comunismo mas, na medida em que envelhecia, ir mudando sua lealdade, se tornando cada vez mais próximo do autoritarismo de Franco, um dos ditadores mais cruéis do século XX, e se alinhando em posições contrárias às da maioria dos intelectuais e artistas de seu tempo. O que levou o líder André Breton a expulsá-lo do Movimento Surrealista, por não concordar que ele visse o massacre do seu povo, enquanto aplaudia o autor dos massacres. E que revoltou também o escritor George Orwell, ao ponto de ele declarar que “Salvador Dalí era um grande desenhista, mas um ser humano repugnante.”

Enquanto isso, distanciado das opiniões alheias, Dalí começou a receber os louros de sua carreira e a desenvolver sua paixão por dinheiro. Quando a 2 °Guerra começou, ele e Gala se mudaram para os EUA, onde viveram durante oito anos. Em Nova York, ele foi recebido de braços abertos. Lá, consolidou sua fama e fortuna. Afinal, suas obras sempre chamaram a atenção, especialmente porque pintava com uma técnica acadêmica impecável e com uma precisão fotográfica que a maioria dos artistas de vanguarda considerava fora de moda, porque era a época do Modernismo e da arte abstrata.

Ao que Dalí retrucava com uma de suas frases famosas, dizendo que “Somos todos famintos e sedentos por imagens concretas. A arte abstrata terá sido boa por uma coisa: restaurar a virgindade da arte figurativa.” Para obter a incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, ele usava o que chamava de “método crítico paranóico”, inspirado na recém descoberta Psicanálise de Freud, que envolvia várias formas de associações irracionais, imagens que ainda hoje variam conforme a percepção do observador.

Sem ter o artista deixado herdeiros declarados, sua fortuna foi encaminhada para o Estado Espanhol e a Fundação Gala-Salvador Dalí, hoje responsável por administrar três museus. Se a exumação reconhecer María Pilar Abel como filha legítima ela, que é vidente e taróloga, terá direito a uma parte dos bens e a usar o sobrenome Dalí, com toda sua tradição de extravagâncias. O pintor, que viveu entre os anos de 1904 e 1989, tem como característica marcante a extravagância, afinal, grande parte das coisas que fazia eram claramente para chamar a atenção (principalmente, dos críticos da época).

Leia Mai

 

Francisco Franco.[20][21] ,política desempenhou um papel significativo na sua emergência como um artistaembora seus escritos, conta anedotas de fazer declarações políticas mais radicais de choque ouvintes do que de qualquer convicção profunda À sobretudo porque o movimento surrealista passou por transformações sob a liderança do trotskista André Breton, que disse ter Salvador Dalí chamado para interrogatório sobre a sua política. Em seu livro de 1970 por Dalí Dalí, Dalí estava declarando-se um anarquista e monarquista.

 

Com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Salvador Dalí fugiu da luta e se recusou a alinhar-se com qualquer grupo. Da mesma forma, após a Segunda Guerra Mundial, George Orwell criticou Dalí para “scuttling fora como um rato, logo que a França está em perigo”, a Após o seu regresso à Catalunha após a Segunda Guerra Mundial, . Dalí, um imponente presença na sua já longa capa, andando presentes pau e colorido, a expressão altiva e arrebitado bigode encerado, era famoso por ter dito que “todas as manhãs, ao acordar, sinto um prazer supremo: o de ser SalvadorDalí

 

"Você tem que criar a confusão sistematicamente, isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida.“ „Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não entendo? “foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do classicismo.[1][2] O seu trabalho mais conhecido, A Persistência da Memória, foi concluído em 1931. Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura, e fotografia. Colaborou com a Walt Disney no curta de animação Destino, que foi Lançado postumamente em 2003 e, ao lado de Alfred Hitchcock, no filme Spellbound.[3] Também foi autor de poemas dentro da mesma linha surrealista.

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