E o que será do amor?

Izabel Bretanha

Exposição de artes plásticas

 

“E o que será do amor?”

de Izabel Bretanha

Quando: de 4 de maio a 2 de junho Onde: Clube de Cultura, Ramiro Barcelos, 1853, Bom Fim, Porto Alegre.

Destaque da programação cultural em Porto Alegre no mês de maio, a exposição “E o que será do Amor?” da artista plástica Izabel Bretanha, busca colocar o amor como um fio vermelho que perpassa todas as pinturas. A singularidade nos toques do pincel e a tonalidade das cores percorrem um umbral do desconhecido. A artista, então, se coloca em jogo, atravessada por um véu de luz e rajadas de esferas, como acordes de um concerto de jazz.

A exposição foi inaugurada no início de maio, dia 4, no Clube de Cultura, um espaço tradicional de Porto Alegre no debate de arte, localizado em um dos bairros mais emblemáticos na formação e expressão cultural da cidade, o Bom Fim, e estará aberta para visitação até dia 2 de junho.

E O QUE SERÁ DO AMOR?

Texto curatorial por Anelore Schumann

| artista visual, poeta, psicanalista

e curadora da exposição

 

As cores de Izabel se mesclam sobre a tela em matizes e combinações sutis ou de exuberante expressividade. Suas pinceladas, ora suaves, ora vigorosas, fixam o gesto efêmero - rastros de linhas, formas e transparências - criando paisagens líricas que nos conduzem para um espaço além do visível, como portais para outro tempo.

Algumas pinturas nos mostram figuras etéreas, transeuntes sobre a crista de uma onda, no cume de montanhas ou em frente a um abismo inesperado. Assim como as pinturas orientais, nas quais o espaço é expandido e os seres são diminutos, a artista representa o desafio que cada sujeito enfrenta ao se deparar com situações novas.

Assim, em cada nova tela, e mesmo em cada nova etapa da produção, Izabel dá um salto no vazio. É preciso coragem para pintar sem saber qual será o destino.  É nesse umbral do desconhecido que a artista se coloca em jogo.

Duas telas se destacam pela singularidade dos toques do pincel e da tonalidade das cores. Foram produzidas ao som de poemas de Baudelaire e Eliane Marques: “Poema I” e “Poema II”.

“Vou-me embora pra Jaguarão”, parafraseando Manuel Bandeira, é uma homenagem à sua cidade amada, que exerce sobre a artista uma forte atração, tal qual o norte magnético para a bússola.

No tríptico “Ruptura e desejo”, Izabel produz o encontro de cores complementares, em que o contraste gera uma vibração intensa. São barras verticais atravessadas por véu de luz e rajadas de esferas, como acordes de um concerto de jazz.

“Ela – várias / Ele – Um”, apresentam também um contraste, mas dessa vez entre duas figuras, uma feminina, fragmentada e múltipla; e a outra masculina, na solidez totalizante. Lado a lado, num díptico, representam o amor em uma faceta heterogênea.

Em sua diversidade e paradoxos, o amor é o “fio vermelho” que perpassa todas as pinturas, talvez porque, desde muito cedo, se manifestou na artista o amor pela arte, sustentado por ela no percurso de mais de trinta anos de trabalho.

“E o que será do amor?” Essa frase interrogante, que dá título à exposição, foi pronunciada na oficina Pintura Moderna, grupo do qual Izabel Bretanha faz parte, durante o trabalho de curadoria. Og Wetzel Filho, também integrante da oficina, propôs esse título para uma das telas na qual podemos ver o encontro de duas grandes áreas fluidas e um redemoinho de onde surge uma forma estranha. Essa tela suscitou uma animada conversa no grupo e foram feitas diversas tentativas de interpretação, porém nenhuma delas pode revelar seu mistério.

E o que será do amor? também pode ser uma pergunta, que não cessa de se inscrever para aqueles que se questionam, num mundo cercado por discursos de ódio.

 

É também uma frase que segue produzindo efeitos: assim como implicou a artista e os envolvidos nessa produção, se propõe a proporcionar aos visitantes a fruição das pinturas e a produção de novas narrativas.

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