EXPOSIÇÃO PITÓRICA “EITA”

O artista visual Erly Almanza inaugurou a exposição pictórica individual “Eita” na galeria Indigo em San Isidro, Lima.

Por Erly Almanza

Em 19 de setembro, o artista de Arequipa, Erly Almanza, inaugurou o show "Eita" na galeria Indigo. A exposição contém a mais recente coleção de pinturas neo-indígenas feitas durante o último ano no Peru e no Brasil sob a curadoria de GreicyNeukirchen.

Pesquisas constantes sobre a miscigenação da identidade peruana abrem novas expectativas no modo de viver de uma cultura antiga e tradicionalista em um contexto universal cheio de transações contemporâneas. Dessa forma, a cultura peruana abrange os diferentes costumes nativos e estrangeiros, criando um ambiente cultural cheio de cores e formas que são renovadas a todo momento. "Eita" é o significado de admiração e / ou surpresa do multiculturalismo peruano.


As referências pictóricas recaem sobre José Sabogal, Camino Brent, Pancho Fierro, entre outros, sobre a corrente indígena iniciada no início do século XX. Também existem influências do cartunista peruano Luis Baldoceda.

A amostra contém pinturas a óleo e acrílicas sobre tela, além de impressões digitais. Os formatos são variados de acordo com a composição de cada cena.


A apresentação oficial desta nova coleção foi feita no cenário cultural nacional.  A inauguração foi apresentada pela soprano Leonor Valencia.

O AUTOR


Erly Almanza nasceu em Arequipa em 18 de março de 1988, viveu sua infância em Ayaviri, retornou a Arequipa durante o ensino médio, onde começou a frequentar a oficina de arte do mestre Rodolfo Pastor. É formado em Artes Plásticas pela UNSA, atualmente cursando Mestrado em Artes Visuais pela UFRGS em Porto Alegre (Brasil).


Sua produção artística inclui diferentes momentos e módulos de expressão. Em 2008, ele criou o quadrinho “Ayar, a lenda dos inkas”, que chegou ao Comi Con em San Diego, além de ser apresentado no New York Time Squard como o quadrinho peruano mais popular do mundo.


A partir de 2010, a situação indigenista latino-americana funciona, buscando relacionar experiências sociais em espaços brancos minimalistas, investigando as abordagens entre o homem e o mundo em cada uma de suas obras.


Ele é o fundador da Tawa Producciones no Peru e do Atelier Errante no Brasil. Ele participa de espaços de exibição e galerias em vários países e também ganhou prêmios e reconhecimento por seu trabalho.

Texto Curatorial

Por Greicy Neukirchen

 

EITA!
 

Expressão que indica admiração, felicidade, espanto, surpresa; Uma exposição onde se encontra andinos em suas expressões cotidianas, numa fusão de intelectos e choques culturais e sociais com personagens de animação e ficção contemporâneos.


Há quem veja por fora tanta clareza em suas telas, e não consiga entender o que Erly tenta expressar com o enredo das mesmas, mas não é preciso o esforço continuo, para já logo se montar o cenário na cabeça.


Numa transfusão entre o que foi o artista em suas idades passadas, para o que o mesmo tem se tornado ao decorrer dos anos, nota-se um mestiça formação de sua história como menino arquipenho de 13 anos, e sua influência boemia vinda de Rodolfo Pastor, para o jovem artista que já sabe misturar sua trajetória andina e indigenista com as cenas culturais e contemporâneas dos dias de hoje.


Não deixando de lado seu modo de pintar, Erly segue sendo original e único quando decide seguir sua linha de telas com fundo branco, pintadas a óleo, dando cor e vida ao foco principal delas, seus personagens peruanos. Porém, em sua nova fase, Erly decide mesclar em suas telas, sua relação indígena a um mundo misto de culturas que aderem à sua construção pessoal.


Nas suas novas obras, vocês podem perceber a presença marcante de andinos em sua mais original formalidade, com seus traços coloridos e sombras definidas, grande maioria deles, com seus personagens andinos em filas, na intenção de transmitir para o público, uma visão de subalternidade, tendo em vista a sensação de inferioridade que nasce com o povo indigenista.

Juntamente deles, personagens de ficção e animação de outros países,
colocados como uma narrativa de questões sociais. Um exemplo a ser citado,
é seu quadro do Mickey, onde podemos ver uma fila de peruanos, todos
usando chapéus do personagem, observando o mesmo conduzindo-os a um
determinado local. Bem, o enredo da história quem monta é você...O fundo pincelado de branco, lhe propõe esta ação.


O fato de o artista ter chegado em outros países, todos através de sua
arte (EUA, ITALIA, BRASIL, MÉXICO, CANADÁ, entre outros), fez com que o mesmo conhecesse outras culturas, já que o artista ter morado desde
criança num espaço virgem de influencias de fora, foi o que fez ele estabilizar sua criatividade no tradicional indigenismo do início do século XIX.


EITA é nada mais nada menos, que uma mistura inesperada, mas real.
Uma mestiçagem de culturas, uma surpresa tanto para quem migra de
outro país, sem medo do que vai encontrar pela frente, quanto para quem
é corajoso e migra de si próprio, em busca de sua evolução.