L’oeuvre gravée (burins), 1964 a 1969 - Raspas de chapa de metal em pote de vidro - Foto Gerson Tung

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Sombras

no Sol

Exposição Sombras no Sol apresenta Rio de Janeiro na visão de Iberê Camargo. Com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, mostra apresenta obras representativas dos 40 anos em que o artista viveu no Rio de Janeiro e sua relação com a cidade. Exposição fica em cartaz até o dia 14 de janeiro de 2018, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre/RS.

No dia 11 de novembro, a Fundação Iberê Camargo inaugurou a exposição Sombras no Sol, que ficará em cartaz até o dia 14 de janeiro de 2018. Com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, a exposição traz 41 peças do acervo – entre pinturas, desenhos, gravuras e documentos – que retratam a visão de Iberê Camargo sobre o Rio de Janeiro, cidade onde morou por 40 anos. A visitação tem entrada franca.


Iberê viveu e trabalhou no Rio de Janeiro por quase 40 anos. Foi lá onde teve uma intensa formação junto ao pintor Alberto da Veiga Guignard, recebeu um prêmio para estudar no exterior, escolheu viver depois do período de estudos na Europa e produziu a maior parte da sua obra, tendo alcançado altíssimo reconhecimento profissional e sendo considerado o maior pintor vivo do Brasil.

​A exposição toma como ponto de convergência uma fala de Iberê Camargo que expressa as contradições do seu mundo subjetivo: "Há muitas sombras no sol" (como um dia comum, alegre e ensolarado que, do ponto de vista de um artista pintor, pode ser visto como sombrio), e o texto "Recordações do Rio de Janeiro", escrito pelo artista em 1965, onde faz uma reflexão sobre os pouco mais de 20 anos em que morava na cidade: "Zombei do Pão de Açúcar, ri da Baía de Guanabara, criação de um Deus acadêmico, e fui buscar minhas cores nos recantos mais humildes, os que não interessam ao turista nem figuram nos cartões-postais". Dessa forma, a mostra pretende que os visitantes vejam a Cidade Maravilhosa sob a ótica do artista, que aponta para uma paisagem muitas vezes vazia e melancólica, nublada – distante do sol e das cores tropicais.

No percurso proposto, a mostra marca cronologicamente o período entre a saída e o posterior retorno de Iberê a Porto Alegre: inicia com desenhos que o artista fez do carnaval de Porto Alegre em 1942 – um símbolo tão arraigado à cultura carioca – e encerra com a pintura Solidão, produzida 52 anos depois.

Sombras no Sol exibe, ainda, um conjunto de documentos que registram o ataque conservador a uma exposição do Grupo Guignard, em 1943, do qual Iberê era um dos integrantes, e a censura a uma de suas obras durante o V Salão Nacional de Arte Moderna, em 1956, no Rio de Janeiro. "Importante trazer à visibilidade e ao debate público o registro de momentos sombrios que apresentam tanta relação com os dias atuais, uma vez que Iberê os vivenciou com resistência, em defesa da arte, do diálogo e do respeito, aspectos tão fundamentais à liberdade de expressão", dizem os curadores.

A mostra dialoga com a outra exposição em cartaz na Fundação, Vivemos na Melhor Cidade da América do Sul, que também aborda aspectos da cidade do Rio de Janeiro.

Serviço


Exposição Sombras no Sol

 

Visitação: de 11 de novembro de 2017 a 14 de janeiro de 2018

Curadoria: Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai

 

Horário: sábados e domingos, das 15h às 20h

 

Local: Fundação Iberê Camargo – 4º andar


ENTRADA FRANCA


Endereço:  Fundação Iberê Camargo - Avenida Padre Cacique, 2000


Transporte: As linhas regulares de lotação que vão até a Zona Sul de Porto Alegre param em frente ao prédio, assim como as linhas de ônibus Serraria 179 e Serraria 179.5. É possível tomá-las a partir do centro da cidade ou em frente ao shopping Praia de Belas. O retorno pode ser feito a partir do Barra Shopping Sul, por onde passam diversas linhas de ônibus com destino a outros pontos da cidade.

Sobre os curadores

 

Gustavo Possamai - Responsável pelo Acervo da Fundação Iberê Camargo, pela parceria com o Google Art Project e pelo Projeto de Digitalização e Disponibilização dos Acervos – que apresentou ao público o maior volume de documentos e de obras de Iberê Camargo já reunidos em todos os tempos. Graduado em Artes Visuais pela UFRGS (2009) e em Comunicação Social pela PUCRS (2003), foi pesquisador no projeto de catalogação da obra completa do artista Iberê Camargo; assistente de curadoria e pesquisa para a exposição “O Triunfo do Contemporâneo – 20 Anos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul”, Santander Cultural, Porto Alegre (2012); assistente de editoria e organizador da cronologia do livro “Heloisa Schneiders da Silva – Obra e Escritos”, editado pelo MARGS (2010) e assistente de pesquisa no projeto "Dédale, uma filme-instalação do artista francês Pierre Coulibeuf", comissionado pela Fundação Iberê Camargo (2009), entre outros.
 

Eduardo Haesbaert - Faxinal do Soturno, RS, 1968 - Iniciou os estudos em artes plásticas na Escola ASPES, Santana do Livramento, em 1980. Em Porto Alegre, especializou-se na gravura em metal no Atelier Livre da Prefeitura, entre os anos de 1986 e 1989. Foi assistente de Iberê Camargo, trabalhando como técnico e impressor de suas gravuras entre 1990 e 1994. Atualmente é coordenador do ateliê de gravura da Fundação Iberê Camargo, onde desenvolve o "Programa Artista Convidado" com a participação de artistas nacionais e internacionais convidados para experimentar a gravura em metal, desde 1999.

Entre as exposições individuais do artista, destacam-se: Desumano (Galeria Bolsa de Arte Porto Alegre, 2017), Remove ( Paço Municipal de Porto Alegre, 2017), Unanimous Night (Contemporary Art Centre, Vilnius, 2017), Corte Seco | Pó ( Espaço Cultura ESPM Sul, 2016), Negro de Fumo (Galeria Bolsa de Arte de São Paulo, 2015), Anotações de uma obra depois das cinco (Fundação Ecarta, Porto Alegre, 2014), Última Cena (Bolsa de Arte de Porto Alegre, 2011), Próximo Plano (Pinacoteca da Feevale, Novo Hamburgo, 2011) e Trabalhos Recentes (Bolsa de Arte de Porto Alegre, 2007).
Participou de diversas mostras coletivas, entre elas: Unânime Noite (Bolsa de Arte de São Paulo, 2016), 10 Bienal do Mercosul (2015), Do Ateliê ao Cubo Branco (MARGS, 2011) e O Triunfo do Contemporâneo (Santander Cultural, 2012).


Suas obras fazem parte do acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS) e do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC/RS).
Durante sua trajetória de artista recebeu os seguintes prêmios: VI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas - Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre – Melhor Exposição Individual 2011 (Última Cena), menção honrosa no VI Salão de Pintura da Cidade de Porto Alegre (1995), Prêmio Especial do Júri pelo Conjunto da Obra no II Salão Victor Meirelles de Florianópolis (1994), Primeiro Prêmio no 16º Salão de Artes Plásticas da Associação Chico Lisboa (1993), Prêmio Secretaria da Cultura do Paraná no 49º Salão Paranaense e Prêmio Brasília de Artes Plásticas no 12º Salão Nacional de Artes Plásticas (1992).

Sobre a Fundação Iberê Camargo


A Fundação Iberê Camargo é uma instituição privada sem fins lucrativos, criada em 1995, a partir de um desejo do próprio artista e sua esposa, Maria Coussirat Camargo, e com o apoio de amigos e empresários de Porto Alegre.
Há 22 anos, a Fundação desenvolve ações culturais e educativas com a missão é preservar o acervo, promover o estudo, a divulgação da obra de Iberê Camargo e estimular a interação de seu público com arte, cultura e educação, por meio de programas interdisciplinares. Seu acervo é formado por um núcleo documental, composto de documentos e imagens relacionadas à vida e à obra do artista, e um núcleo com a coleção Maria Coussirat Camargo, que inclui pinturas, gravuras, guaches, desenhos e estudos de Iberê Camargo, obras que o casal acumulou durante a vida.


A sede da instituição, inaugurada em 2008, foi projetada pelo português Álvaro Siza, um dos arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo. O projeto recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza (2002) e é mérito especial da Trienal de Design de Milão.


Referência arquitetônica na cidade de Porto Alegre, o prédio possui salas expositivas, átrio, reserva técnica, centro de documentação e pesquisa, ateliê de gravura, ateliê do educativo, auditório, loja, cafeteria, estacionamento e parque ambiental projetado pela Fundação Gaia.

Iberê Camargo
[Restinga Seca, 1914 – Porto Alegre, 1994] - Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de uma extensa obra, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos, mas exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual brasileiro. Dentre as diferentes facetas de sua vasta produção, o artista desenvolveu as conhecidas séries Carretéis, Ciclistas e As idiotas, que marcaram sua trajetória. Grande parte de sua produção, estimada em mais de sete mil obras, compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.