"Depois mais nada"

Uma crise dissociativa que quase virou sexo

Quantos quilômetros existem entre duas pessoas que as vezes estão lado a lado? Quantos enganos se propagam nos sons que produzem? Quantos planos são rasos demais pra saírem dos sonhos e encararem o ar personificados em desejo compartilhado? Desejos que se transferem pelos dedos a uma outra alma que tão longe, do outro lado das palavras volta como um eco compreensivo, onde se escondem as pessoas que amam a gente e por que, por que elas sempre parecem estar ocupadas amando outras pessoas? Essas distâncias físicas ou emocionais estão em "Depois mais nada", "Virtualismos" e "Sozinho";

 

Algumas coisas a gente precisa matar ou morrer no sonho pra renascer na vida. Em Inventário inverso, muitas ilusões morreram pra surgirem, de novo, inteiras, mais completas, cheias de risos trazidos do outro lado. Explorei ciúmes e crimes passionais em "Como dois estranhos" e "Tramas Shakespereanas". Em "O caminhoneiro", falo do que me parece ser uma forma bem distorcida de amar, uma forma de amar inspirada em "Viajo porque preciso, volto porque te amo". Devaneios messiânicos falando de Jesus através de um aspecto de Vênus com Júpiter em "Jesus", fiz um à maneira de Caio Fernando Abreu num ímpeto poético de homenagem e de amor (por ele e por um menino que conheci e que foi embora). 

 

Uma crise dissociativa que quase virou sexo em "O não dito não é sim" e também ainda esse tipo de mistura estranha de sentimentos a dois em " (In) segurança.  Ainda há uma moça que precisa redescobrir a própria existência em "Sentido" porque soube que quando você morre na vida, não acorda no sonho, então é preciso sobreviver e sempre. Falo também de um caso de violência, na verdade, acho todo esse emaranhado de palavras uma trança de transas e transgressões com transparências e transcendências. O que o homem quer, o que a mulher quer, em que momento as vontades divergem e eles precisam se destruir ou reconstruir?

E as cem razões do amor, mencionando Drummond, as sem razões de tudo. Eu falo de sexo como eu falo de tudo, algumas vezes é explícito, sujo, selvagem, sacana, mas é honesto. Como um porre Bukowskiano. Como uma fuga de Kerouac. "Forasteiro" trata de uma época em que eu estava obcecada com faroeste. "Poema a vinte dedos em dois teclados distantes", uma conversa com meu melhor amigo, Sanzio. Nômades niilistas fala de um jeito contemporâneo dos rebeldes sem causa atemporais.

 

"Em tempos de amor líquido: sublimação não sublime" narro um encontro casul com detalhes desnescessários aos puritanos. E em "Entre aspas", exploro uma traição que nunca soube se aconteceu, por isso está entre aspas, literalmente.  E em "Tietagem" eu encontro um escritor que gosto muito (imaginariamente, claro). "ImaginAção" fala de um prato platônico, um amor que ainda não vivi e, por isso, ainda é perfeito. "Os quatro elementos e o amor" fala, usando as estrelas e planetas e aspectos astrológicos pra explicar a tragetória amorosa de alguém. "Maldito Mercúrio Retrógrado" fala de inadequação.

 

"A morte mora ao lado" resultou de um AVC que eu presenciei na rodoviária de Porto Alegre que me despertou, de novo, pra gratuidade da vida mesmo no tumulto gritante da vida que acontece tão incessantemente nas metrópoles.  

"E que nenhuma salvação sensorial serve aos seres sedentos que cedem ao sonho,  o sonho é raio de sol, ele estente os cordões táteis em tangos tântricos.

 

Você nem sabe. Mas só a sensação salta o trampolim entre as almas, todo homem é uma ilha sim, mas não existem pontes, só o que mergulha no nada pode chegar à margem do outro ou se afogar tentando." (Sozinho). Podia dizer que vivi todas as coisas clichês.

 

Que fiz de acordo com os acordes da minha, então, juventude: procurei significado pra vida em todos os tipos de sensações que as bebidas, drogas e outras pessoas poderiam me proporcionar e agora procrastinava pra ser adulta. Agora eu precisava me encaixar em algo e parar de achar que iria mudar o mundo. (O não dito não é sim) Aquela amálgama de amarguras e amores amaciados ao sabor do amadorismo da gente. (Sentidos)

Ficha Técnica:
Páginas: 106

Ano de Publicação: 2016
ISBN: 978-85-67095-09-7

Composição:  Pólen 90g;

Gênero: Conto

Bibliotecária Responsável: Nalin Ferreira