Quando os diabos

eram loiros

Literatura | Romance | Marcos Reimann

Marcos Reimann

Era uma vez uma cidade em que todos os habitantes eram pecadores, mas usavam nomes de santos e anjos...

“Quando os diabos eram loiros”, de Marcos Reimann, é um romance em que o personagem principal é jornalista, a exemplo do que ocorre em “Número Zero” de Umberto Eco, “Exclusiva” de Annalena McAfee e “Furo” de Evelyn Waugh. Mas, ao contrário do que ocorre nos romances citados, esse está ambientado no interior do Rio Grande do Sul, no universo de uma aldeia, em que são vizinhos pessoas de diferentes origens.

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Nele, um jovem estagiário secundarista é convidado a trabalhar na reportagem. Do ponto de vista pedagógico é uma receita de como não deve ser feito um jornal, tendo em vista que os profissionais são totalmente envolvidos pelos fatos, além de distorcê-los. Na Era da Internet essas relações de envolvimento e distanciamento merecem ser especialmente discutidas. Nada é o que parece ser, como nas redes sociais!

O texto ficcional também oferece a oportunidade de confrontar os dilemas éticos que os jovens jornalistas vão enfrentar, as opções colocadas diante das publicações e as relações dos meios de comunicação com os poderes instituídos. Tudo isso pode ser feito com humor, ironia e acumulação de conhecimentos históricos. 

Neste momento, em que a leitura de textos mais longos e o próprio livro correm riscos de extinção, nada melhor do que algo que não seja maçante, mas possua substância.

Sobre o romance:

O romance, que leva o subtítulo de "Correio do Colono"  está dividido em três partes. Na primeira, intitulada “Livro da Profecia Conferida”, o personagem Miguel relata e transcreve uma suposta “profecia” que furtou da gaveta do editor do jornal “Correio do Colono”, durante o período em que trabalhou como estagiário, em 1974, para o semanário fictício.

 

O texto, de um suposto vidente, prevê o impacto da introdução da soja na produção agrícola da região, gerando uma migração sem precedentes. É reencontrado entre os pertences que lhe são devolvidos, no retorno à Buricá, sua cidade natal. Em seguida, o personagem decide contar a história de sua passagem pela profissão de jornalista. Na segunda parte, intitulada “Livro das Matérias Efêmeras” o repórter Miguel Engelberger conta detalhes de sua contratação; descreve o Professor Zandonai, editor; relata os trabalhos que realizou e a sua paixão platônica por Aline Riccetti.

 

Desse relato, destacam-se seis supostos suicídios que o repórter descreve, dando detalhes sobre os costumes diferenciados entre imigrantes poloneses, italianos, portugueses, ciganos, “bugres” e alemães que compõem as etnias do município, um núcleo de preconceitos.

 

Na terceira parte, intitulada “Livro do Discreto Êxodo” ocorre a demissão do repórter e o encerramento de suas aspirações platônicas. O vigário, Padre Angelonni, profere sermão no qual ataca a imprensa pecadora e a louca da cidade, Luna Yara, vocaliza os sentimentos coletivos. O pai do adolescente decide mandá-lo estudar em Porto Alegre.  Por fim, o narrador encontra e revela o editorial no qual Zandonai faz uma defesa do jornal e de seu repórter.

Sobre o autor:

Marcos Francisco Reimann é brasileiro, casado, servidor público federal. Reside em Brasília, no Distrito Federal. Nasceu em 23.09.1958, em Três de Maio, no Rio Grande do Sul. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (1977-1980); em Ciências Jurídicas e Sociais, pela UFRGS (1978-1982) e Universidade Federal da Paraíba (1983).

 

Em pós-graduação, fez especialização em Comunicação na Universidade de Brasília (1995-1996) e Mestrado em Política Social (1997/2000). Trabalhou na Caixa Econômica Federal (extinto BNH), de 1980 a 1987 e no Tribunal Regional do Trabalho – 18ª Região (1991-1993). A partir de 1993, trabalhou no Senado Federal, como Consultor Legislativo, na área de Direito do Trabalho e Previdência. Publicou o livro “Cidadania e Contratos Atípicos de Trabalho” (Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2002).