Por Lena Kurtz de Porto Alegre | [ jornalista e artista visual ]

Queermuseu - Cartografias da diferença na América Latina |  Parte I


Em uma iniciativa inédita em museus da América Latina,  o Santander Cultural está com as portas abertas para a exposição Queermuseu - Cartografias da diferença na América Latina, que é também a primeira mostra queer  realizada no Brasil.  De origem inglesa, o termo é utilizado para designar pessoas que não seguem o padrão estabelecido de heterossexualidade ou de gênero definido, e que são notadamente gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.
 

São mais de 270 obras – oriundas de coleções públicas e privadas – de 85 artistas, que tratam de temáticas LGBT e que percorrem o período histórico de meados do século 20 até os dias de hoje, com a curadoria caprichada de Gaudêncio Fidelis.
 

Trata-se de uma iniciativa incomum, porque dá um panorama histórico da produção queer, sem procurar sugerir “que existe uma sensibilidade artística que possa ser categorizada como queer e isolada em um nicho de obras tidas como queer”, nas palavras do curador. E abre espaço para a discussão sobre o uso político do gosto institucionalizado com o propósito de discriminação estética,  explorando a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura.
 

O importante, segundo o curador, “é verificar o quanto a diferença tem sido excluída na formação do cânone, do modelo artístico”.   Fidelis esclarece que Queermuseu fala do efeito da obscuridade interpretativa das obras que vai, através dos tempos, se acumulando como camadas e tirando a “verdade” delas.  E exemplifica isso ao lembrar que muitos dos trabalhos expostos se já se encontravam em acervos de museus, mas sem ter recebido a interpretação devida, despojados de seus aspectos queer ou mesmo de sua perspectiva biográfica. Certamente por conta do preconceito, que vai sendo mais discutido na medida em que aumenta a visibilidade LGBT.
 

Ou seja, Queermuseu é um ‘museu provisório’, metafórico, que serve como ferramenta de reflexão sobre como a inclusão pode ser exercida de forma abrangente, ao adotar um método de disposição não cronológica e quebrar hierarquias, dando projeção à questões artísticas que perpassam os diversos aspectos da vida contemporânea, como o comportamento, a moda, a estética e outras manifestações.
 

Entre os 85 artistas selecionados estão nomes como Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Clóvis Graciano, Gilberto Perin, Ligia Clark, Ana Flores, Sandro Ka e Leonilson. A mostra reúne pintura, gravura, fotografia, serigrafia, desenho, colagem, cerâmica, escultura e vídeo. E fica no Santander Cultural, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, até o dia 8 de outubro.

 

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